Refrigerante para automóveis. A regra 50/50

Assuntos específicos relacionados ao sistema de ar e arrefecimento.
chevrolongo
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Refrigerante para automóveis. A regra 50/50

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Refrigerante para automóveis.
A regra 50/50

Por Antonio J. Ciancio
Engenheiro de Lubrificação na AXION energy (Mobil em Arg.). Professor associado e pesquisador do Centro Argentino de Tribologia. Comitê Técnico da Câmara Argentina de Lubrificantes.

Em muitos casos, há um equívoco ao pensar que em climas temperados ou no verão podem ser usados no radiador porcentagens mais baixas de etilenoglicol, como 33%. Desta forma, jaquetas molhadas ou blocos de alumínio não são protegidos adequadamente.

As misturas de água-etilenoglicol são as mais amplamente utilizadas em nosso mercado como refrigerante automotivo.

Os regulamentos em vigor na Argentina mudaram há alguns anos e permitiam que os refrigerantes fossem comercializados como concentrados ou como misturas 50/50 (proporção igual de água desmineralizada e etilenoglicol). No passado eles só podiam ser vendidos na forma concentrada e isso trazia muitos problemas, porque era usada água inadequada e era difícil conseguir a proporção correta.

O erro ao ver esta curva, muitas vezes apresentada nos recipientes de refrigerante em forma de tabela, é considerar “com 33% de glicol estou coberto para partir até cerca de -25 ° C, portanto usarei essa proporção”. Em princípio, pode-se pensar que, com esse critério, apenas alguns lugares no mundo usariam a proporção 50/50. Você acha que os fabricantes de motores fazem essa recomendação, para todas as aplicações, cometendo esse erro infantil?

É que a importância da relação 50/50 não vem da função anticongelante. Está relacionado à proteção das lonas úmidas de motores diesel pesados e das passagens de resfriamento internas dos automóveis. Lá fica evidenciada a proteção contra a CAVITAÇÃO do etilenoglicol. A cavitação é uma forma de dano grave que, em muitos casos, leva à falha do motor. De certa forma, podemos pensar em um efeito semelhante à "gota que perfura a pedra", mas na realidade é uma batida incessante de pequenos mas poderosos "jatos" que se formam quando as bolhas que são geradas no colapso do refrigerante. Essas bolhas não contêm ar em seu interior, mas vapor de água, e são formadas por dois motivos: pelo aquecimento próximo à camisa úmida e pela súbita mudança de pressão causada pelo alargamento repentino da camisa quando ocorre o conjunto de anéis de pistão, e então posterior contração por recuperação elástica do metal. Isso é suficiente para a “nucleação” e formação de bolhas, que atingem um tamanho crítico, e por serem instáveis, quando submetidas à pressão do líquido colapsam e formam um “jato” altamente concentrado e poderoso, capaz de originar o "buraco" ou pequeno orifício no aço da jaqueta.

A função do glicol é prevenir a formação dessas bolhas, o que faz mudando a tensão superficial e principalmente aumentando a viscosidade da mistura quando a proporção é 50/50, e não inferior. A viscosidade é três vezes maior e controla o tamanho e a estabilidade da bolha. Soma-se a essa ação a de aditivos refrigerantes específicos, principalmente nitritos e molibdatos, quando compostos de sódio ou boro são usados em inorgânicos e aditivos orgânicos poderosos na tecnologia OAT.

Voltando à ação da temperatura sobre a ebulição nas camisas, que pode chegar a cerca de 150 ° C na área próxima à câmara de combustão, o aumento do ponto de ebulição da mistura para 50/50 começa a ter um papel importante.

No gráfico a seguir você pode ver como a passagem de calor da superfície do metal para o fluido refrigerante muda, enquanto os diferentes estágios de ebulição começam a evaporar. Existe um ponto crítico onde se inicia a formação "por nucleação e crescimento" das bolhas, que antecede a transferência máxima de vapor, mas se a diferença de temperatura for ultrapassada acima de 30 ° C, ela passa para a zona de evaporação, com passagem de calor muito baixa e risco de "derretimento". A mistura 50/50 de água-glicol nos afasta desse perigo, aumentando a temperatura de ebulição na pressão total do sistema.

Mais desvantagens de não usar glicol no refrigerante

Embora as misturas com etilenoglicol NÃO aumentem a capacidade de transferência de calor do fluido contra a água, do ponto de vista da eficiência de condução e convecção térmicas, as desvantagens do uso desta última são decisivas. É preciso esclarecer que mesmo água bem tratada com inibidores e aditivos anticongelantes é uma opção do passado: só poderia ser considerada quando os motores entregassem baixa potência, com os metais trabalhando em temperaturas mais baixas. É por isso que algumas transportadoras que utilizam água encontram liners corroídos e cavados por cavitação, não há proteção para os diferentes metais e materiais poliméricos do sistema de refrigeração e, sobretudo, está desprotegido contra infecções de microrganismos: fungos, bactérias e até algas. que podem crescer no sistema são adequadamente "removidas" pelo glicol que tem se mostrado um biocida muito eficaz. Estas são as razões definitivas para optar por refrigerantes formulados, QUE GARANTEM OS BENEFÍCIOS DE UMA OPERAÇÃO EFICIENTE, LIVRE DE PARADAS INVOLUNTÁRIAS.

Para ler o artigo inteiro e ver os gráficos:
https://lubri-press.com/la-regla-del-5050/

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Luiz Carlos (Rio)
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Re: Refrigerante para automóveis. A regra 50/50

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Esse é um assunto polêmico. Li numa ocasião um encarregado da manutenção de uma frota de caminhões dizendo que estava havendo muito problema com os motores dos veículos dele e constatou-se que a causa era excesso de aditivo. Não me lembro agora o que acontecia, mas o excesso de aditivo na água prejudicava a transferência de calor no motor ou coisa assim.
Antes de possuir Monzas (tive dois), meus carros anteriores não usavam aditivo com etilenoglicol. Os primeiros Monzas também não. Usavam 25 cm³ de óleo solúvel (aquele que os torneiros usam para resfriar as ferramentas e brocas durante trabalho com metais).
No caso do Monza, só se recomendava aditivo com etilenoglicol em climas muito frios, onde havia o risco do congelamento da água do sistema. No Brasil isso só ocorre no Sul. Mesmo assim, a proporção não era de 50/50, como pode ser visto na figura abaixo, tirada do manual do proprietário do Monza 1982:
ADITIVOS PARA INVERNO RIGOROSO NOS MONZAS.jpg
Nos Monzas mais atuais, o manual recomenda colocar aditivo na proporção 40/60, sendo 40% de aditivo.
Manual do Monza GL 1996, o último produzido:
ADITIVO PARA RADIADOR MONZA - PROPORÇÃO.jpg
No meu Fiat Uno Mille, ano 1999, portanto mais atual que o último Monza produzido no Brasil, a proporção recomendada é 30/70, sendo 30% de água potável, nem é desmineralizada.
proporção aditivo fiat uno mille.jpg
Eu sempre uso o que o manual recomenda. Mesmo porque, se der problemas, tenho por onde procurar o fabricante e exigir algum tipo de reparação.
Cada um deve fazer o que sua razão indicar. Tem gente que cuida do carro como se fosse avião.
Eu prefiro cuidar dos meus carros como carros mesmo. :lol:

Abs
Você não está autorizado a ver ou baixar esse anexo.
Luiz Carlos
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chevrolongo
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Re: Refrigerante para automóveis. A regra 50/50

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Olá Luiz Carlos:

Se a sua opinião for muito sensata e muito respeitável. Mas o Monza já tem muitos anos e os produtos automotivos evoluíram. É por isso que eu queria compartilhar este artigo escrito por um engenheiro com formação na área com motivos técnicos e gráficos documentados (você pode ver o artigo completo no link no final do artigo que eu carreguei). Também procuro orientar-me pelo que indica o manual do veículo em questão, mas neste caso podemos dizer que produtos mais evoluídos podem ser adotados sem prejudicar, pelo contrário. Pelo menos essas são minhas conclusões sobre o assunto. Às vezes acontece o mesmo com os óleos para automóveis, sua evolução hoje nos permite adotar outras especificações para nossos carros antigos sem prejudicar o motor, pelo contrário, esses produtos serão mais favoráveis ​​em alguns casos. Embora no meu caso pessoal ainda aposte mesmo no 20W50 MINERAL para o meu Monza, da marca CASTROL, embora pudesse muito bem ter apostado num semi-sintético ou sintético com as mesmas especificações. Acho que tem coisas que podem ser mudadas e que são favoráveis ​​e outras que não, mas tudo depende de cada um. Sempre li seus tópicos com muito cuidado e aprendi muito com eles. Forte abraço!

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Luiz Carlos (Rio)
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Re: Refrigerante para automóveis. A regra 50/50

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Chevrolongo

Eu sei muito bem que os produtos evoluem. Tenho muito anos de estrada e pude acompanhar a evolução dessa área por muito tempo. Mais exatamente 74 anos, dos quais passei 30 como mecânico de aviões com motores a pistão e turbo hélices.
Na época em que eu era mecânico de voo de aviões Douglas C-47 da FAB usávamos nos motores óleo sem detergente. Esse era o óleo usado desde que os motores foram fabricados.
Quando surgiram os óleos com detergente, se substituíssemos os óleos antigos pelos novos, a sujeira presente nos motores se soltaria, entupindo os canais de lubrificação e destruindo os motores.
Da mesma forma, usar produtos modernos em carros antigos sem conhecer a fundo o assunto pode causar mais mal do que bem.
Você não pode, por exemplo, substituir o gás R-12 do sistema de ar condicionado de um Monza anterior a 1995 ou 1996 por R-134. Pode causar problemas, pois o gás novo pode destruir as guarnições antigas, o óleo lubrificante tem de ser outro, as pressões de trabalho e até a quantidade de óleo R-134 é diferente.
Eu prefiro usar sempre o óleo recomendado no manual. Claro que às vezes o óleo recomendado nem é mais fabricado, como os óleos lubrificantes SG, SF..
Por outro lado, eu, pessoalmente, olho o custo benefício. Vale a pena gastar o dobro com um óleo semi sintético ou sintético se o óleo mineral vai ser eficiente para o meu motor?
Motores modernos têm folgas menores entre suas peças, por isso necessitam de melhores óleos, mais finos, etc.
O motor de um Monza, se o proprietário usar óleo mineral vai durar mais do que o carro.
Para ter uma ideia da minha filosofia, esse computador que estou usando para escrever esta postagem custa mais que o meu Monza, ou meu Fiat Mille. Então não vale a pena eu me preocupar demais com o tipo de óleo que estou usando. :lol:

Abs
Luiz Carlos
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Re: Refrigerante para automóveis. A regra 50/50

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Em muitas coisas que você cita eu concordo, mas no caso do refrigerante de acordo com o artigo deste engenheiro, a questão é que o etilenoglicol não é mais usado como anticoingelante, mas sim como anticavitante, se você ler todo o artigo e justificar atentamente todos os dados que este engenheiro oferece para embasar sua tese e depois você também ver os gráficos que acompanham o artigo você chega à conclusão lógica, caso contrário seria ignorá-lo. E como você pode ver, a maioria dos refrigerantes no mercado já está diluída a 50% e outros tipos de anticongelante não são mais usados, como certos tipos de anticongelantes à base de óleo que eram usados ​​no passado. Bem, eu mesmo coloquei 50% de água de Paraflu desmineralizada e 50% de refrigerante anticorrosivo puro de uma marca reconhecida à base de etilenoglicol após ter retificado o cabeçote, válvulas, etc. etc. e até agora o sistema de refrigeração percebeu que funciona maravilhosamente bem. Estou pessoalmente convencido de que a regra de 50% glicol + água desmineralizada e desionizada pura funciona muito bem. Antes de ter encontrado esta informação eu ia colocar refrigerante de acordo com o manual Monza 33% refrigerante e 77% água, mas então optei por este método convencido de que é pessoalmente conveniente e minha escolha não foi por capricho, mas por informações que eventualmente Venho estudando sobre isso com base no artigo compartilhado aqui no fórum.
Quanto às suas considerações sobre os óleos de motor, concordo consigo neste ponto pelas razões técnicas que cita e que me parecem corretas. É sempre um prazer trocar opiniões com você querido Luiz Carlos, abraço!

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